segunda-feira, 28 de abril de 2014

Amadurecendo?



Uma coisa estranhamente boa me aconteceu hoje. Resolvi, depois de muito tempo, dar uma de mulherzinha e passar creme hidratante no corpo.


Essa iniciativa só surgiu quando minha irmã olhou para as minhas pernas e apontou como a minha pele estava manchada (eu pisei num formigueiro no começo do mês, e as picadas não doíam mais, mas ainda estavam vermelhas). Pensei que o hidratante ajudaria, e aparentemente está ajudando sim.


Passei creme nas pernas, e quando cheguei ao bumbum tive uma surpresa ao notar que as minhas estrias estavam todas lá, intactas. É estranho isso ser uma surpresa, mas parece que eu simplesmente esqueci que elas existiam por vários meses.


Comecei a pensar sobre o fato, e cheguei à conclusão de que é mais fácil arrumar um namorado míope do que tentar tirar as estrias de lá. Ok, isso foi uma piada, mas se os caras que eu conheço estão ficando com o cabelo ralo, por que eu não posso me dar o direito de ter estrias em paz?


Não sei o que pensar sobre o meu novo ponto de vista, se estou amadurecendo, me tornando menos influenciável pela minha imagem, ou se estou ficando mais relapsa e preguiçosa no que diz respeito à minha aparência.

Maria Fernanda C. Machado

28/04/2014

sábado, 23 de novembro de 2013

O melhor feedback

     Hoje me aconteceu algo marcante. Fui pra o trabalho cobrir um colega pois não estou trabalhando aos sábados. Dei a primeira aula e ouvi minha colega dando aula para a minha antiga turma. Bati na porta e abri pra perguntar “Hello, How are you doing?” Para a minha surpresa, os alunos gritaram “teacher!” e levantaram correndo pra me abraçar. Fui agarrada por três pré-adolescentes que não queriam soltar e nem voltar pra aula deles.
     Depois disso, foi a hora de dar a segunda aula do dia. Eu já tinha dado uma aula antes nessa turma, e sabia que alguns alunos tinham dificuldade, por isso dei uma atenção especial para eles, e me surpreendi de ver como eles tinham melhorado em três semanas. Ao final da aula ouvi a pergunta “Você dá aula aqui sempre? ... Eu gostei de ter aula com você.”
     Essas duas perolazinhas do dia me fizeram pensar muito. Isso tem um gostinho bom que nenhuma outra área de trabalho dá. O gostinho de reconhecimento. Pensei, pensei e consegui elaborar isso melhor.
     Sou psicóloga e batalhei muito pra entrar na área de RH. Trabalhei um ano e meio com recrutamento e seleção, e poderia ter trabalhado por 30 anos, acho que nunca veria um chefe me chamar pra dizer que meu trabalho está muito bom, que as metas foram alcançadas e que eu estou de parabéns. Na verdade, a sensação que eu fiquei ao trabalhar em uma empresa foi de que feedback é sempre algo negativo, porque quando você é bom, não está fazendo mais do que a sua obrigação, como se o salário que você recebe fosse o elogio que ninguém te dá.
     Não estou dizendo que quando a gente dá aula o chefe e os colegas são bonzinhos, mas comigo, os elogios ao meu trabalho têm sido repassados para mim. Como psicóloga eu sei que isso é muito importante para a motivação de um profissional, e como pessoa, eu sei a falta que isso faz na hora de acordar cedo numa segunda-feira pra ir pro trabalho (o que agora não é mais o meu caso).
     Assim como os exemplos de hoje, percebi que tenho outros. Tenho alunos que chegaram no primeiro dia de aula falando que detestam inglês, que é uma matéria muito chata e que só estão no curso porque a mãe obrigou, e hoje em dia os mesmo alunos tiram as melhores notas da turma e falam a toda hora “Tia, inglês é muito fácil!”. Pais que falaram que tinham que arrastar os filhos para a aula, e que agora os filhos gostam de ir. Alunos que me pediram ajuda porque estavam mal e tinham realmente uma dificuldade, alunos que quase ficaram reprovados, e que agora estão acima da média sem precisar ajuda.
     Claro, como em qualquer lugar, nem tudo são flores. Tenho alunos bagunceiros, alunos que tentam desafiar a minha autoridade em sala de aula, alunos que acham que eu tenho que ter um dicionário na minha cabeça e alunos que não concordam com o meu modelo de lecionar. Mas aí sim, eu acho que isso pode ser considerado um tipo de feedback negativo daqueles que faz a gente repensar no nosso modo de trabalhar e crescer como profissional e como pessoa, muito melhor do que um chefe dando bronca e cobrando prazos.
     Me chamo Maria Fernanda, e nunca decidi ser professora. Sou formada em psicologia, trabalhei em RH e queria trabalhar com treinamento (tá, talvez já tivesse um tempero de teacher nessa minha escolha), mas como psicóloga não estava dando certo. Fui dar aulas pra não ficar parada, e hoje em dia acho que eu não trabalho na carreira que eu escolhi, trabalho na área que me escolheu.
Maria Fernanda C. Machado
23/11/2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sensação estranha



Ando levando uma vida bem sedentária e bem parada, eu admito. Isso não tinha me incomodado tanto até essa ficha cair hoje.

Às vezes acho que deveria fazer uma aula de pilates, outras vezes penso em comprar uma bike, meu pai acha que eu devo voltar a malhar... E no fim, nem yoga na minha casa eu faço.

Hoje é minha folga e eu acordei super tarde, o sol estava muito forte, e do nada me bateu a ideia de pegar meu short de corrida, botar uma blusinha ventilada, boné e tênis e sair correndo por aí. Fiz isso poucas vezes, mas agora o trânsito está todo desviado pelas ruas pequenas por onde eu andava. Não estou afim de carros passando e me observando, fora que se eu quero praticar um esporte o ideal é que eu saia do monóxido de carbono, né?

Tive outra ideia. Como hoje é sexta, pensei em pegar um ônibus e ir para o posto 8 da Barra mesmo (que deve estar habitável num dia de semana). Pensei em levar uma bolsa pequena só com o essencial e uma canga, esticar a canga na areia, fazer uns asanas e meditar um pouco, depois ia andando pro Barra Shopping, fazia uma gordice costumeira e voltava pra casa.

Não fiz porque a minha irmã me lembrou de um detalhe importantíssimo: Hoje é a abertura do Rock in Rio. Só tem um lugar que vai ficar pior do que a Barra, vai ser o caminho que eu faço pra ir pro trabalho em Vargem Pequena. Ainda bem que a minha irmã estava atenta aos detalhes.

Fiquei pensando onde eu poderia correr ou fazer yoga aqui por perto da minha casa, e descobri que eu posso correr na rua aspirando fumaça e fazer yoga no meu quarto. Não tem nenhum espaço aberto em Jacarepaguá pra se praticar esportes por conta própria. Não tem parques, as praças estão em obras (eu não faria yoga na praça mesmo). Mas os moradores ficam sem opção de se exercitar ao ar livre.

O dia passou e eu não saí de casa. Não concluí nada com essa historia. Estou me sentindo estranha, como se eu conseguisse perceber um pedido que o meu corpo me fez, e que os corpos todos fazem para as pessoas (mesmo que a maioria não note) e eu não posso fazer nada. Alguma ideia? Aceito sugestões nos comentários.

13/09/2013

Maria Fernanda C. Machado

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aniversário


     É, não tem como fugir mais, os 30 vão me pegar daqui a um ano. Dias após o meu aniversário de 29 com cara de 22, resolvi me dar um presente. Se eu soubesse que um óculos escuro gigante deixava a gente bonita instantaneamente desse jeito, tinha comprado aos 15... Hehehe
Bjs

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pobres vítimas da moda

Como vocês podem ter percebido pelo resto do blog, eu fui uma adolescente anti-moda. Nunca usei a roupa da moda e, claro, sempre inventei nos cabelos para nunca estar na moda com eles. Hoje, com 28 anos, percebo que o anti-modismo nada mais é do que um fruto da moda. Não é uma tendência original, mas existe uma moda paralela para os adolescentes “loucos” que querem parecer diferentes da maioria.

Mas isso não é um problema. A moda tira a nossa personalidade na hora de escolhermos roupas e acessórios, mas nos iguala a todos. Já a anti-moda, geralmente afirma a nossa personalidade e nos faz parecer diferente. O que me preocupa é um fenômeno que sempre existiu e sempre existirá no mundo. As pobres vítimas da moda.

Minha intenção não é negar a moda, na verdade, agora que superei minha vontade de ter um visual agressivo com cabelos roxos, percebo que coisas boas entram na moda, e isso é muito bom, porque elas ficam mais fáceis de encontrar. Por exemplo, calças de malha. É lindo ver o jeans dividir espaço com uma roupa confortável nas araras de loja, especialmente porque essas roupas passam a ser mais baratas.

A questão é quando uma coisa disfuncional entra na moda e vira epidemia entre as menininhas sem personalidade que estão tão habituadas aos modismos que aderem, sem nem ao menos parar para analisar.

Percebi em dois exemplos. O primeiro foram as unhas de pelúcia, não tem nem o que discutir, né? Como é que essas pessoas lavam as mãos? Fica úmido depois? Agora já tem até unhas com bolinhas, pra ficar tipo chocolate granulado colado em um brigadeiro. O outro foi a nova saia da moda.

Com um calor imenso no Rio, as saias ganham espaço. Eu, por exemplo, comecei a comprar saias longas. As saias longas dão um visual super chique, deixam qualquer look parecendo mais arrumado, mas elas cobrem as pernas. Ouvi pessoas apontando para a saia que eu estava segurando na fila de um provador e falando “Eu? Botar uma saia até o meu pé? Mas nem morta!” Ok, é uma opinião (que não precisava ser falada nesse momento, mas a opinião dela). E aí, tentando criar o visual piriguete-chique, foi relançada a saia curta na frente e longa trás.

Ok, vai, um visu diferente, mas as saias estão virando cintos na frente e um rabo de noiva atrás. O resultado: Se você vai pra uma festinha pra dançar, vai ter um “rabo” te atrapalhando, e se você quer um visu chique, a não ser que a parte da frente chegue no joelho, o “rabo” não vai ajudar em nada.

Todos temos alguns exemplos de roupas disfuncionais, que entram na moda e viram epidemia. Mas até um ato simples, como comprar uma roupa, deveria exigir uma análise do porquê, de qual ocasião a roupa vai ser usada, se vale o preço que custa (ou se vale uma parcela por 6 meses no seu cartão). Pena que as pessoas compram para espairecer, e se negam a pensar durante a compra.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Eu já tenho quase 30

     É, 2012 está acabando e eu estou me sentindo na música nova da Sandy “Hoje já é quinta feira. E eu já tenho quase 30 ♫”. Está aí uma sensação que não se apaga mais. Aparece do nada em coisas banais, como uma escolha de roupa seguida do pensamento - Ah, eu não tenho mais idade pra usar uma estampa dessas.

     Coisas simples, como o cabelo alisado, que não dava trabalho nenhum, mas não era o meu natural, começaram a parecer artificiais demais pra manter. Já tem um ano que eu abandonei praticamente 90% dos meu acessórios. Não tenho mais pulseiras nem anéis, logo eu, que usava 2 ou 3 anéis na mão direita e um na esquerda na época do colégio.

     Meus cordões são simples. Uma corrente com um pingente. Nada mais de cordão com 10 voltas no pescoço ou gargantilhas. Isso se eu usar algum cordão. A mudança nos brincos foi a mais radical. Saí de brincos que esbarravam no meu ombro (e olha que eu tenho o pescoço enorme) para brincos sem nada pendurado. Simplesmente uma bolinha com tarracha. Unhas sempre feitas, mas curtas, pra não me atrapalhar de fazer nada.

     Agora vi uma foto com as minhas primas no natal e percebi que dá pra notar nitidamente que eu sou 10 anos mais velha. Não que eu esteja acabada, não é isso, mas o meu sorriso mudou. Minha alegria é mais sutil que a delas. Eu sorrio mais com os olhos e menos com a boca.

     Isso não me pareceu sinal de meia idade precoce até eu resolver mudar a foto de capa do meu facebook. Tirei uma foto minha andando sozinha em uma praia paradisíaca e queria colocar uma foto de meditação na praia em um por o sol. Foi difícil achar a foto, e muito interessante notar que eu achei fotos lindas de meditação com o sol nascendo, mas não eram bem o que eu queria. Eu queria a foto bem laranja, marcando que era o por do sol, que era o anoitecer na praia. E que o anoitecer é lindo.

     Muitas pessoas vão para a praia para torrarem no sol, e quando o sol diminui elas voltam logo para a casa para pegar menos trânsito. Eu estou como o por do sol na praia. Tem pessoas que fogem porque isso representa um fim, mas na verdade é o começo. O fim do dia e começo da noite, e a noite não é ruim. Se de dia a graça é torrar na areia e brincar na água, de noite a graça é ver as estrelas e a lua, sentir a brisa mais fresca, sentir que aquele espaço é só pra você, em que você pode estar na sua própria companhia.

    Ano que vem eu faço 29 anos. Acho que o meu sol está se pondo. Não vou fechar nenhuma ideia nesse post, só deixar para vocês a mensagem:
     - Aproveitem o por do sol!
Maria Fernanda C. Machado
26/12/12

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Um desabafo meio enrolado, mas interessante

O quarto do pânico
                Me lembro do filme – O quarto do pânico, em que a menina acha um buraquinho para o lado de fora e fica piscando uma lanterna com o sinal de S.O.S. em código Morse, tentando pedir ajuda. No filme, até as personagens acham idiota, mas um vizinho vê, entende e chama  polícia.
                Parece eu, falando dos meus sentimentos clara e abertamente dentro de um quarto-cofre, mas se tiver que falar fora das paredes de chumbo, não consigo. As paredes de chumbo sempre estão ali. Eu até já achei um buraquinho, já mando sinais em código Morse, mas parece que ninguém vê.
                Se alguém visse e viesse ver se está tudo certo, eu certamente abriria a porta do meu quarto-cofre, para poder ficar presa junto com essa pessoa no lugar onde eu falo dos meus sentimentos claramente. Sempre deixo a pessoa livre pra sair, mas sabendo que eu não saio. Sou daquelas que só diz que ama entre quatro paredes, se possível, de chumbo. Na frente dos amigos eu não amo. Na frente dos amigos eu acho legal, estou curtindo, como se eu não fosse sentir nada se o cara resolvesse ir embora amanhã.
                Entrar no meu quarto do pânico e zombar é uma afronta. Por isso, pessoas que adoram zombar dos sentimentos dos outros não entram.
                Também, entrar e viver quilo tudo comigo e sair falando sobre o que acontece lá dentro, eu considero traição. Trair minha confiança é tão grave quanto me trair com outra pessoa. Mas um que não entra.
                Eu fico sozinha, todos os dias, vivendo as minhas emoções intensamente no quarto do pânico. E lá dentro, por estar sozinha, as emoções ecoam e ficam enormes. Um “eu gosto de A”, se não tiver um “eu gosto de B” pra equilibrar, vai ecoar sozinho como um “eu gosto”, e vai ressoar, ressoar nas paredes e virar um “eu amo A”, talvez um “eu amo A e não sei viver sem ele”. Esses ecos inventados são sempre muito maiores que o sentimento original. Talvez por isso, fiquem ecos para sempre.
                Se quando eu dissesse “eu gosto de A”, o A pudesse ouvir, ou entendesse o meu código Morse e viesse ao meu encontro, ele entraria no quarto do pânico como um eu gosto, ia ecoar e virar um eu amo, mas não por ser um quarto de lata vazio, onde tudo vira eco, e sim por ser um “eu amo” dito por duas vozes. Ia crescer igual para os dois, ia ser lindo. Mas como A não ouve, eu falo sozinha no vazio, o eco amplia, “eu gosto” vira “eu amo” que vira “sou louca por”, que vira qualquer coisa, até um “A é o homem da minha vida” em um eco de muitos anos.
                Mas e aí? E se nessa altura o A ouvir? E se vier? Não posso deixar entrar de verdade alguém de quem os ecos falam o tempo todo, seria constrangedor pra mim o A saber os ecos que tenho dele. E como ele vai saber que é uma ampliação do eco e que o que eu disse originalmente foi um inocente “eu gosto de A”?
                O A pode ficar confiante demais e achar que com um eco daqueles, ele pode fazer qualquer besteira que a porta sempre vai se abrir pra ele entrar de novo.
                Ou então, A pode ouvir o eco e pensar que se não corresponde, se ele sabe viver sem mim, é melhor não se meter nessa furada, e cai fora.
                Então eu fico, sozinha no quarto do pânico, ouvindo minhas somas virarem multiplicações e depois potências e os resultados aumentando absurdamente, sem corresponder à realidade.
                Fico vendo A virar quase um ser mitológico, sem defeitos, e que nunca olharia para mim. Até aparecer um “eu gosto de B”, e aí as frases sobre A começam a ser substituídas.
                Parece que só vivo alguma coisa real, quando um tal X, sem ouvir, sem ver código Morse nenhum, se arrisca e vem bater na porta do meu quarto do pânico. Se o X agradar, ele pode já estar lá dentro quando eu disser o primeiro “eu gosto de X”.
                E assim eu vou vivendo, fabricando paixões platônicas e esperando que a realidade venha bater na minha porta.
Maria Fernanda C Machado
12/12/12

sábado, 8 de dezembro de 2012

Julgamento precipitado


Vou contar uma história que me aconteceu há uma semana.
       Estou lendo um livro em que o autor explica todos os detalhes de cena, entra nos pensamentos de todas as personagens e explica cada mínima sensação deles. Talvez por isso, quando desci do ônibus na central do Brasil, depois de um capítulo inteiro, estava totalmente mergulhada nos meus pensamentos, narrando cada um, como no livro. Até que uma imagem me chamou a atenção.
       Atravessando a Presidente Vargas vi um casal de jovens com toda a pinta de “favelados” no pior sentido da palavra. Notei o casal quando o rapaz passou na minha frente e eu percebi que ele estava usando um boné e uma bermuda. Estava sem camisa e descalço.
Narrando meus pensamentos, sem perceber eu taxei, classifiquei, cataloguei o menino e arquivei o pensamento. Estava pronta a minha imagem daquele menino, e era a pior possível. Minha primeira impressão, e dizem que é a que fica, não é?
Voltei a elaborar pensamentos quando a menina passou na minha frente, usando um vestidinho que também a classificaria como “favelada” seguindo o meu julgamento. Reparei que ela estava usando chinelos, e por sinal, um chinelo preto enorme.
Demorei quase uns três minutos para fechar a cena na minha cabeça, e talvez, se não estivesse inspirada pelo livro a investigar cada pensamento, não teria percebido que meu primeiro julgamento era um absurdo. Aquele menino favelado era provavelmente o homem mais cavalheiro que eu já vi. Conheço muitos homens educados e que seriam incapazes de fazer uma grosseria com uma mulher. Mas sinceramente, duvido que algum deles andasse descalço na central do Brasil para dar os sapatos para uma menina.
Fica a dica. Olhe sempre uma segunda vez, não se prenda à sua primeira impressão.
Maria Fernanda C. Machado
08/12/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O pequeno príncipe

Tá aí uma história que todos sempre amaram, menos eu. Nunca tive paciência para ler este livro, porque quando eu era pequena, muito pequena mesmo, eu vi o filme, e eu achava insuportável, mas as pessoas grandes insistiam em colocar de novo.

Agora, com 28 anos na cara, resolvo ler o livro, afinal, o que eu tenho a perder? É um livro infantil, vou ler rapidinho. Minha grande surpresa foi que o livro é bom.



As pessoas falam que o livro fala de amor, mas fala muito mais do que isso. Quando o príncipe viaja para os planetas pequenos antes da terra por exemplo, ele encontra figuras ótimas. Eu adorei o rei e o empresário. Duas figuras que a gente vê por aí todos os dias e não para pra pensar.



A lógica sem sentido do empresário é ter estrelas para ser rico e poder comprar cada vez mais estrelas, ou seja, não muda nada na vida dele. O raciocínio do rei é perfeito. Se ele dá uma ordem impossível de ser cumprida, o erro é dele, não de quem desobedece. E ele cai no extremo oposto de mandar o menino fazer tudo o que ele diz que quer fazer, porque aí o menino vai obedecer.

Após ler o livro, resolvi ver o filme de novo, para entender porque uma história tão bonitinha me causava tanta angustia. Achei o filme na internet (é o único que já foi feito). O filme é 10 anos mais velho que eu, ou seja, os efeitos especiais são precários, década de 70 era a época dos musicais e as pessoas grandes reprimiam mais o seu lado infantil, ou seja, percebi que o maior defeito do filme foi ter a sua interpretação segundo uma pessoa grande, não segundo uma criança, como é escrito no livro.



Segundo o Wikipédia, a estrela do filme é o ator que faz o aviador, e o menino é um coadjuvante! Claro, o aviador canta o tempo todo, né? Assistindo o filme reparei que a rosa é sedutora, quase pornográfica com o menino, os planetas que ele visita antes da terra são todos distorcidos, e o grande lance do filme é promover os atores que deveriam ser coadjuvantes, mas que na verdade são todos personagens principais. Cantam, dançam, sapateiam e fazem o menino ser um mero detalhe na cena.



O filme é distorcido em coisas grandes, como por exemplo o poço do livro ser um oásis no filme. Mas para mim, as faltas mais graves são duas: A cobra e o fim da história.



No livro eu não percebi a cobra querendo enganar o menino para poder morde-lo, se fosse este o objetivo, ela não teria deixado o menino ir da primeira vez, teria mordido logo, não é? A serpente diz para o príncipe “Aquele que eu toco, eu devolvo à terra de onde veio – continuou a serpente. – Mas tu és puro e vens de uma estrela...” (p. 60). A serpente não é a malvada da história como no filme.



Sobre o fim da história, a distorção é absurda. O livro diz: “Tenho certeza que ele voltou para o seu planeta, pois, ao raiar do dia, não encontrei seu corpo.” (p. 91). Já no filme, quando o aviador não encontra o corpo, ele chega à conclusão de que o menino nunca existiu! Era um delírio que a mente dele criou para que ele sobrevivesse ao deserto. E cadê o olhar de criança desse filme?



Bom, gente, depois de expressar minha indignação com esse filme, fica aqui a minha posição. O filme não vale a pena, mas o livro vale muito. Se alguém está na mesma situação que eu de evitar ler o livro por causa do filme, esqueça esse filme feito por pessoas grandes, e leia o livro feito por alguém que entende a jiboia digerindo um elefante!



Bj